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MAY
22
2018

Impactos do frio na piscicultura: você está preparado?

As temperaturas mais baixas do ano já podem ser sentidas, causando um impacto extremamente importante para a piscicultura. Isso porque, como sabemos, peixes são espécies de sangue frio, ou cientificamente falando, são exotérmicos. Por isso, a temperatura corporal deles varia de acordo com a temperatura do ambiente.

No inverno há a diminuição das temperaturas médias das águas, provocando redução no nível de atividade dos peixes com consequente diminuição na produtividade para quem trabalha com piscicultura. Isso acontece porque com seu metabolismo diminuído, o peixe come menos, cresce menos, e como se movimenta menos, dependendo da temperatura, pode chegar até a óbito (em casos extremos).

Portanto, é essencial que o piscicultor tome algumas medidas para adequar o manejo dos animais às temperaturas mais baixas dos viveiros, garantindo saúde, além de maior eficiência para o sistema como um todo.

Conversamos com Fábio Sussel, pesquisador científico em aquicultura da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), que nos dá algumas informações importantes a respeito da piscicultura durante o inverno. Vale a pena conferir.

Principais impactos do frio na piscicultura

No Brasil todo, especialmente no Sul e Sudeste, via de regra, o frio tem grande influência no desempenho produtivo dos peixes. “Com a temperatura mais baixa das águas, constata-se redução do consumo de ração e crescimento mais lento”, explica Sussel. Tudo isso é decorrente da redução no metabolismo dos peixes em razão das menores temperaturas.

Para o especialista, o fato mais marcante para a produção de peixes neste período refere-se a parada das reproduções. “Tanto tilápias quanto espécies nativas não se reproduzem nos períodos frios. Mas raramente se observa mortandades em massa decorrente do frio.”, explica.

É possível controlar a temperatura do ambiente de viveiros?

Essa não deve ser a maior preocupação. Já evitar alimentação em excesso, manter a densidade de peixes dentro do viveiro sempre adequada e monitorar a qualidade (e não a temperatura) da água, são ações mais factíveis que, se bem conduzidas, podem evitar perdas na piscicultura durante os dias frios.

O pesquisador complementa e diz que até existem alguns sistemas de produção de peixes indoor, em que as estruturas de produção (tanques de recirculação de água) se encontram em locais cobertos por estufa ou galpões, podendo assim controlar a temperatura. No entanto, segundo ele, são poucas as produções comerciais que utilizam tais sistemas.

A temperatura considerada ideal varia dependendo da espécie

O número de espécies de peixe de interesse econômico no Brasil é bem grande e cada espécie possui uma zona de conforto ideal de temperatura da água, garantido sua sobrevivência. Porém, é importante saber que há uma temperatura ótima para que os peixes apresentem seu melhor desempenho.

As espécies da Bacia Amazônica, por exemplo, possuem uma faixa de temperatura média da água da zona de conforto entre 25 °C a 32 °C, enquanto as espécies de Mato Grosso do Sul apresentam média que ficam em torno de 24 °C a 30 °C.

Sabe-se também que os peixes amazônicos costumam não enfrentar grandes variações de temperatura (do ar e, consequentemente, da água) quando comparados com os peixes da região sul de Mato Grosso do Sul.

As espécies que criamos aqui no Sudeste se desenvolvem melhor em temperaturas de água próximo a 30º C”, cita Sussel. No entanto, ele complementa que esta elevada temperatura também favorece o desenvolvimento de patógenos (vírus, fungos, bactérias…). “Dessa forma, não são temperaturas desejáveis”.

Assim, para a região considera-se como temperatura ideal 26º C. No inverno, as temperaturas variam entre 16 a 21ºC. Segundo Sussel, “viveiros mais profundos são melhores para reduzir o impacto do frio, pois, por possuírem uma massa maior de água, oscilam menos a temperatura”.

Temperaturas mais frias estressam os peixes

Com a chegada do inverno pode haver aumento das doenças na piscicultura, principalmente devido ao estresse pelo qual os peixes passam no período. “As espécies tropicais, caso do pacu, pintado, piau e matrinxã, ficam um pouco mais suscetíveis ao frio, pois se incomodam mais com as baixas temperaturas”.

Além disso, a superpopulação, o manejo e a má qualidade de água dos tanques de criação, são outros fatores causadores de estresse na piscicultura.

Tais fatores estressantes tendem a baixar a resistência imunológica dos peixes, deixando-os bem mais suscetíveis às diversas doenças. Porém, Sussel faz um comentário “positivo” sobre o frio: “com as temperaturas mais baixas dentro dos tanques, alguns agentes patogênicos no ambiente de produção encontram-se reduzidos. Com isso, os peixes serão dificilmente serão parasitados”.

Medidas que o produtor deve tomar quanto ao manejo dos peixes no inverno

Algumas medidas padrão devem ser seguidas pelo produtor para que os peixes não sofram com os efeitos do frio durante o inverno, são elas:

 O manejo alimentar deve receber atenção especial para que as perdas sejam evitadas: para o pesquisador da APTA, reduzir drasticamente o fornecimento de ração é fundamental. Nas semanas de frio mais intenso, pode até mesmo não fornecer ração. “Não há problema algum dos peixes ficarem 3 ou 4 dias sem se alimentarem. A regra é fácil e vale para qualquer época do ano: não pode haver qualquer sobra de ração nos viveiros” explica;

 – Correta capacitação dos trabalhadores: é fundamental que o tratador esteja capacitado a ponto de conseguir observar se todo o alimento oferecido aos peixes está sendo consumindo, evitando perdas e deterioração da qualidade da água por excesso de ração. Além disso, ele deve estar capacitado para mensurar a qualidade da água;

 – Fazer a despesca (e demais manejos) antes do inverno: o arrasto de rede, o transporte e demais práticas de manejo devem ser realizadas antes da chegada do período frio. Isso reduz os fatores estressantes a que os peixes passariam, além do estresse já natural resultante do clima;

 – A adição de suplementos à ração: alguns suplementos, caso das vitaminas (C e E), aminoácidos, pró-bióticos e pré-bióticos, antes de os animais passarem por condições estressantes, pode ser uma boa opção, pois ajuda a aumentar a imunidade dos peixes. Esses suplementos devem ser misturados à ração comercial e fornecidos alguns dias antes de eventos críticos, como a chegada de uma frente fria.

Para finalizar, Sussel recomenda: “ração não consumida é prejuízo em dobro: além do desperdício, ela irá se deteriorar e comprometer a qualidade da água”. Portanto, priorize a qualidade do manejo do peixe, nos dias quentes, e principalmente nos dias frios.

Fonte: Agrishow

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