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DEC
21
2017

Moscas: pequenas, porém incômodas

É verão! E nesta estação do ano, em que as chuvas são mais frequentes e intensas na maior parte do país, é comum a infestação de bovinos por moscas e outros parasitas. Com o gado mais exposto, prevenir é a palavra-chave para zelar pelo bem estar dos animais e evitar prejuízos.

Para ajudá-lo a identificar e combater essas pragas, separamos uma matéria da Revista Rural que conta quais são os tipos de diferentes de moscas, cuidados que se deve ter  e outras informações importantes. Confira!

MOSCAS – PEQUENAS, PORÉM INCÔMODAS

As moscas têm se mostrado agentes prejudiciais para o desenvolvimento da atividade pecuária, causando stress, irritabilidade nos animais e, consequentemente, perdas na produção de carne e leite. Especialistas recomendam: é preciso conhecer esses inimigos para a adoção do tratamento mais adequado.

Insetos cada vez mais comuns no campo, as moscas-dos-chifres, do estábulo e do berne apesar de pequenas nos seus tamanhos, causam muitas perdas ao produtor. A primeira delas, cujo nome científico é Haematobia irritans, já é considerada praga em diversos países e teve seu primeiro diagnóstico no Brasil na década de 1980.

Presente em todo o território nacional, a mosca-dos-chifres apresenta maior infestação nas épocas mais chuvosas e causa prejuízos que chegam a US$ 150 milhões ao ano. De acordo com a Embrapa Rondônia, em um animal que apresente baixa infestação podem ser contabilizadas até 150 desses parasitos, mas é possível encontrar mais de mil deles em um único hospedeiro.

O médico veterinário e diretor técnico da Ourofino, Gabriel Sandoval, explica que, na prática, a mosca-dos-chifres pica o animal de 25 a 40 vezes por dia e cada sucção pode durar de quatro a cinco minutos. Uma infestação média de 500 moscas pode levar a uma perda média de 40 kg/animal/ano e cerca de 150 litros de leite durante toda a lactação. Somando-se a isso a perda de sangue e os efeitos irritantes da picada comprometem a alimentação tranquila do animal, diminuindo sua produtividade. A mosca-dos-chifres geralmente passa 24 horas por dia sobre o animal e pode ser encontrada em qualquer parte do corpo, mas preferencialmente ao redor dos chifres e cupim.

A utilização do besouro africano Onthophagus gazella tem sido estudada pela Embrapa como uma das medidas de combate a esse tipo de mosca, devido ao fato dele viver nas fezes do gado e se alimentar dos ovos ali postos. O ciclo de vida da mosca-dos-chifres começa quando o inseto põe os ovos nas fezes dos animais. Nas horas mais frescas do dia, uma grande população de moscas adultas migra para as partes mais baixas do animal, concentrando-se na região do abdômen, para posteriormente realizar a postura sobre o bolo fecal fresco. Em boas condições de temperatura e umidade, os ovos eclodem e em 24 horas se transformam em larvas. Depois de três a cinco dias, as larvas se transformam em pupas, alimentam-se nas fezes e entre quatro e oito dias já se tornam moscas adultas. “Vale ressaltar que um dos métodos mais efetivos no tratamento e controle da mosca-dos-chifres é a utilização do brinco mosquicida (brinco inseticida) que protege os animais por até 150 dias”, indica Sandoval.

A pulverização feita no gado visando o combate ao carrapato é uma das soluções também para a mosca-do-chifre, conforme indica o médico veterinário e gerente de produtos da Intervet/Schering-Plough Animal Health, Tiago Arantes. Porém, ele também reforça a recomendação de que para combater esse mal, o mais viável é o uso dos brincos inseticidas, tratamento muito prático que acaba com as moscas que por ventura já existam. “O ideal é colocar o brinco no começo das chuvas e retirá-lo no final das águas, aproximadamente no mês de maio. No período crítico da mosca, teremos animais protegidos por um produto eficaz com o qual conseguimos tratar 100% do rebanho com uma solução individual, que controla muito a população ambiental porque toda a mosca que emergir e for sugar o gado vai encontrá-lo com o brinco inseticida”.

Mosca do estábulo

A mosca do estábulo (Stomoxys calcitrans) é encontrada facilmente em regiões próximas a usinas de cana-de-açúcar, atraída pela palha da cana e pela vinhaça, subproduto originado da produção do etanol. Segundo a Embrapa, ela tem quase o mesmo tamanho e aparência de uma mosca doméstica, diferenciando-se pela tromba alongada do aparelho bucal, que utiliza para sugar o sangue do animal. A mosca do estábulo também ataca animais de sangue quente e no gado, as consequências por ela geradas vão desde emagrecimento, coceira, inquietação, caída do pelo, queda na produção de leite, ferimento no couro até o estresse e a transmissão de agentes e bactérias, que provocam doenças como brucelose, febre aftosa e problemas intestinais.

Dados da Embrapa Pecuária Gado de Corte informam que o desenvolvimento de ovo até a fase adulta acontece de duas a três semanas em climas quentes, podendo durar mais de dois meses em climas temperados. O período de vida de uma mosca adulta é de 15 a 30 dias. A aplicação de vermífugos e inseticidas ajuda a amenizar o problema.

Mosca do berne

Presente em todos os países da América do Sul, a mosca Dermatobia hominis em sua fase larval é denominada por berne. De acordo com a Embrapa Gado de Corte, uma vez presente nos animais, o berne causa a miíase furuncular ou dermatobiose, que se caracteriza pela formação de nódulos no hospedeiro, com a presença de uma ou mais larvas no interior. Ocasionalmente, podem ocorrer infiltração bacteriana e formação de abcessos subcutâneos, além de postura de ovos pela Cochliomyia hominivorax, mosca da bicheira, o que determinaria o estabelecimento de uma miíase primária.

A instituição reforça que a Dermatobia hominis precisa de um outro inseto, geralmente outra mosca, como vetor de seus ovos, para levar o berne até o hospedeiro e iniciar assim, seu ciclo biológico. Na pecuária, os prejuízos causados são a redução na produção de carne, de leite, retardo do crescimento, pré-disposição as enfermidades diversas e, danos parciais ou totais nos couros. O controle desta mosca se faz quase que exclusivamente por meio de produtos químicos, visando o estágio larval que se realiza no hospedeiro, ocasião em que a maior parte dos danos já não tem mais como ser revertida. A aplicação dos produtos químicos é feita por meio de banhos de aspersão, dorsal, nas formas parenteral, subcutânea ou oral.

Custos

Quando o assunto é a prevenção contra ecto e endoparasitos no geral, Tiago Arantes sempre aconselha aos pecuaristas programas integrados a fim de facilitar o manejo. O médico veterinário aponta também que a prevenção no rebanho é muito mais eficaz e barata em relação a um tratamento curativo. Um trabalho bem feito, por exemplo, com produtos eficazes aplicados em intervalos corretos, em geral, representam de 3 a 5% dos custos de produção de uma propriedade. “É um investimento muito pequeno em relação a todos os benefícios que podemos oferecer aos clientes, desde prevenção de mortalidade, aumento de produtividade, ganho de peso, segurança para o frigorífico que está comprando essa carne. O Brasil tem um potencial inquestionável na produção de carne. O que impede o País em estar nos melhores mercados e ganhando melhor: segurança, sanidade e qualidade da carne. Daí, a importância de termos rebanhos manejados da maneira adequada com procedimentos que possam ser certificados pelo mercado comprador da carne brasileira”, finaliza.

Fonte: http://www.revistarural.com.br/edicoes/item/5418-moscas-pequenas-porem-incomodas

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